A maquiadora Robin Mathews teve apenas US$ 250 de verba para a maquiagem de “Clube de Compras Dallas”, drama baseado em fatos reais sobre a luta de pacientes diagnosticados com Aids na década de 1980. Por seu delicado trabalho no filme, Mathews e a hair stylist Adruitha Lee levaram o Oscar de Melhor Maquiagem e Penteado, em 2014.
Dirigido pelo canadense Jean-Marc Vallée (falecido há 5 anos), Matthew McConaughey interpreta Ron Woodroof, cowboy e eletricista texano que descobre ser HIV positivo, em 1986. Diante da falta de medicação e ação das autoridades públicas nos EUA, ele decide traficar remédios para ajudar outros pacientes, como a transexual Rayon (papel de Jared Leto).
Também premiado no MUAHS (Make-Up Artists & Hair Stylists Guild Awards) – principal sindicato dos maquiadores e cabeleireiros em Hollywood –, o trabalho de Robin Mathews foi fundamental para mostrar os vários estágios da doença nos personagens. Tanto McConaughey quanto Leto perderam quase vinte kilos para convencer nos papeis de pacientes com Aids, só que com a descoberta de novos medicamentos e tratamentos alternativos ao longo da trama, seus personagens passam a recuperar o peso, criando mais desafios para a equipe.

Como as filmagens de “Clube de Compras Dallas” levaram apenas 25 dias, Mathews teve de fazer mágica, sobretudo com um orçamento de apenas 250 dólares que obviamente não permitia o uso de próteses ou recursos mais avançados. Já que é extremamente difícil para uma produção de baixo orçamento rodar em sequência cronologicamente, McConaughey e Leto filmavam, num mesmo dia, tanto cenas nas quais pareciam extremamente debilitados, assim como outras com seus personagens mais saudáveis, conforme têm acesso aos remédios contrabandeados. Com poucos recursos, Mathews usou apenas maquiagem e pequenos truques para demonstrar essa diferença na aparência dos atores.
Para Woodroof na fase crítica da doença, por exemplo, Mathews realçou o contorno dos ossos e tendões da face de McConaughey por meio de maquiagem, só com corretivos, lápis e pó (destacando sua palidez). Para o personagem se recuperando com a medicação, a maquiadora recorreu a preenchedores dentários a fim de dar mais volume e um aspecto mais arredondado ao rosto do ator.
Leto passou por processo mais elaborado, já que a personagem transgênero (fictícia) usa maquiagem de beleza como afirmação da própria identidade – o desafio para Mathews foi equilibrar a make sem deixar de mostrar as marcas da doença que avançava em Rayon. Foi também ideia da maquiadora raspar as sobrancelhas do ator, que usou várias perucas.

Foi o orçamento mais enxuto que Mathews já teve, ela que já trabalhou na saga Crepúsculo em “Lua Nova” (2009) e “Eclipse” (2010). Em matéria para a Vanity Fair, em 2014, a maquiadora contou que durante as filmagens os produtores usaram várias vezes o próprio cartão de crédito para pagar a alimentação da equipe.
A dedicação e resiliência da equipe foi reconhecida. Além de McConaughey e Leto, Robin Mathews e Adruitha Lee venceram o Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo em sua primeira indicação, superando o orçamento milionário de “O Cavaleiro Solitário” (2013) e da comédia “Vovô Sem Vergonha” (2013). Uma prova que nem sempre quem tem mais grana vence o Oscar – e que um trabalho delicado e sutil como o de maquiagem em “Clube de Compras Dallas” pode (e merece) ser valorizado.

Fonte: “How Dallas Buyers Club Got an Oscar Nomination with Just a $250 Makeup Budget”, artigo escrito por Katey Rich para a Vanity Fair

