Vencedora do Oscar por “Os Miseráveis”, a atriz estrela cinco filmes que chegam às telas neste ano. O primeiro é a aguardada continuação de “O Diabo Veste Prada”, que estreia no Brasil nesta quinta (30/4), trazendo de volta a icônica Miranda Priestly interpretada por Meryl Streep.
Vinte e cinco anos depois de “O Diário da Princesa”, sua estreia no cinema, Anne Hathaway vive grande momento, equilibrando trabalhos no cinema independente, como “Meu Nome era Eileen” (2023), “Instinto Materno” (2024) e “Mother Mary” (que acaba de estrear nos EUA), com superproduções do porte de “O Diabo Veste Prada 2” e “A Odisseia”, novo épico de Christopher Nolan previsto para estrear em 16/7.
Além de voltar à pele de Andy Sachs em “O Diabo Veste Prada 2”, novamente ao lado de Meryl Streep, Emily Blunt e Stanley Tucci, Hathaway vem recebendo muitos elogios por sua performance como uma diva pop em “Mother Mary”, novo longa de David Lowery (de “Sombras da Vida”), ainda sem previsão de estreia no Brasil.
Depois de “A Odisseia”, no papel de Penélope, a leal esposa de Odisseu que aguarda por seu retorno durante 20 anos, a atriz poderá ser vista em “O Fim da Rua” – novo trabalho de David Robert Mitchell, diretor do cultuado terror “Corrente do Mal” – e no thriller “Verity”, adaptação do best-seller de Colleen Hoover.
Nascida em 12/11/1982, no Brooklyn, em Nova York, Anne Hathaway é filha da veterana atriz teatral Kate McCauley. Em 1999, teve seu primeiro papel de destaque, na série televisiva “Get Real”, até estrear no cinema com a comédia “O Diário da Princesa” (2001), que a marcaria como atriz de produções comerciais voltadas para a família.
“O Segredo de Brokeback Mountain”, lançado em 2005, começou a mudar a imagem juvenil da atriz, que logo viria a contracenar com Meryl Streep no sucesso “O Diabo Veste Prada” (2006), filme que se tornou referência no universo fashion. Após interpretar a escritora Jane Austen em “Amor e Inocência” (2007), Hathaway mostrou seus recursos dramáticos em “O Casamento de Rachel” (2008), vivendo uma dependente química que reencontra a família durante o casamento da irmã. Sob a direção de Jonathan Demme, ela conseguiu sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz.
Com boas habilidades de canto, comprovadas no dueto ao lado de Hugh Jackman no número musical que abriu a cerimônia do Oscar de 2009, Hathaway participou do Coro de Honra da All-Eastern U.S. High School e atuou como primeira soprano em dois concertos no Carnegie Hall, em Nova York.

Sua química com Jackman no Oscar de 2009 não passou despercebida por Hollywood, e em 2012 os dois foram escalados para a versão musical de “Os Miseráveis” dirigida por Tom Hooper (“O Discurso do Rei”). Comovente no papel da prostituta Fantine, Hathaway conquistou o Bafta, o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, entre outros prêmios em 2013.
A década de 2010 seguiu com uma sucessão de produções comerciais, de “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012) e “Interestelar” (2014) – ambos de Christopher Nolan (com quem volta a trabalhar em “A Odisseia”) –, passando por “Oito Mulheres e um Segredo” (2018), à comédia “As Trapaceiras” (2019). O discreto papel da matriarca em “Armageddon Time” (2022), de James Gray, marcou seu retorno às produções independentes, com personagens mais desafiadores em filmes como “Meu Nome era Eileen” (2023), “Instinto Materno” (2024) e o recente “Mother Mary”, no qual canta e dança emulando divas do pop.
Alçada à fama aos 19 anos, com “O Diário da Princesa”, Hathaway chega à maturidade com filmes para todos os gostos, do cinemão hollywoodiano ao filme-cabeça, provando sua versatilidade e busca por novos desafios – e, quem sabe, uma nova indicação ao Oscar.
Confira a seguir uma seleção com alguns de seus melhores trabalhos, dos mais famosos que a transformaram em estrela a produções menos conhecidas.
7 VEZES ANNE HATHAWAY
2001
O DIÁRIO DA PRINCESA
Após estrelar a série “Get Real”, que durou apenas uma temporada, Hathaway virou uma estrela com esta adaptação do best seller de Meg Cabot. No papel de uma adolescente norte-americana tímida que descobre ser herdeira de um pequeno reino europeu, a jovem atriz despontava como uma nova Audrey Hepburn.
Hathaway voltou a interpretar a personagem em “O Diário da Princesa 2: Casamento Real” (2004), e uma nova continuação encontra-se em desenvolvimento no estúdio Disney.
2006
O DIABO VESTE PRADA
Ao mostrar os bastidores da indústria da moda de forma ácida e divertida, o filme virou referência da cultura pop nos anos 2000. Nele, cada peça de roupa criada pela figurinista Patricia Field (a mesma de “Sex and the City”) comunica o status de suas personagens, em especial a evolução pessoal da protagonista, Andy Sachs (Anne Hathaway). Jornalista recém-formada, a personagem consegue trabalho como assistente da implacável Miranda Priestly (Meryl Streep, simplesmente brilhante), editora-chefe da fictícia revista Runway, em Nova York.
É difícil imaginar que Hathaway não era a primeira opção para interpretar Andy. Antes dela, Rachel McAdams recusou o papel três vezes (por motivos pessoais), abrindo terreno para Charlize Theron, Kate Hudson, Kirsten Dunst, Natalie Portman e Scarlett Johansson serem cogitadas para viver a protagonista.
2008
O CASAMENTO DE RACHEL

Anne Hathaway provou ser uma atriz de recursos dramáticos neste que foi o seu papel mais desafiador até então: Kym, jovem problemática que, após nove meses numa clínica de reabilitação para viciados em drogas, volta para casa a fim de participar do casamento de sua irmã mais velha, a Rachel do título.
Dirigida por Jonathan Demme (de “O Silêncio dos Inocentes”), esta produção independente valeu a Hathaway prêmio do National Board of Review e indicações ao Oscar e ao Bafta de Melhor Atriz.
2012
OS MISERÁVEIS
Disponível para aluguel no Prime Video e YouTube
Quatro anos depois da primeira indicação da atriz ao Oscar, por “O Casamento de Rachel”, finalmente veio a estatueta dourada, como coadjuvante, por esta adaptação do musical da Broadway baseado no livro de Victor Hugo de 1862.
Para o papel da trágica Fantine, Hathaway perdeu mais de 11 quilos e rouba a cena em pouco mais de 20 minutos de tempo de tela. Sua performance no número musical “I Dreamed a Dream” é um dos pontos altos do filme.
2019
MODERN LOVE

Uma das melhores atuações da atriz está escondida na primeira temporada desta série de antologia sobre relacionamentos, inspirados em casos reais extraídos da coluna Modern Love do jornal The New York Times.
No episódio 3 – “Me Aceita Como Eu Sou, Quem Quer Que Eu Seja” –, Hathway compõe um retrato emocionante de uma mulher com transtorno bipolar, vivendo uma montanha russa de emoções em busca de amor e estabilidade, entre fases maníacas e episódios depressivos.
2023
MEU NOME ERA EILEEN

Ambientado em 1964, o longa independente com toques neonoir traz Thomasin McKenzie (de “Noite Passada em Soho) na pele de Eileen, jovem secretária de um centro de detenção juvenil que fica obcecada pela nova psicóloga do local, Rebecca. Com presença hipnótica na trama, ela é interpretada por Anne Hathaway como uma misteriosa femme fatale que logo se torna um modelo (e objeto do desejo) para a personagem-título.
2024
INSTINTO MATERNO

Hathaway imprime intensidade a Céline, dona de casa devastada por uma tragédia familiar que irá mudar para sempre a dinâmica com sua vizinha e melhor amiga, Alice (papel de Jessica Chastain). O duelo de interpretação entre as duas vencedoras do Oscar mantém a tensão, com reviravoltas na trama que vão tirar o chão do espectador. Segundo Hathaway, foi o papel mais difícil de sua carreira por tocar em seu maior medo na vida.
Baseado no livro de Barbara Abel, o filme é um thriller psicológico que mergulha no peso da maternidade e merece ser descoberto.
Pesquisa e texto: Eduardo Lucena





