O filme de Ryan Coogler igualou o recorde de “A Malvada” (1950), “Titanic” (1997) e “La La Land – Cantando Estações” (2016), com 16 indicações cada um. Disponível na HBO Max, “Pecadores” foi um dos sucessos surpresa de 2025 e disputa a categoria de Melhor Maquiagem e Cabelo.
Coogler também entrou para a história da Academia de Hollywood, tornando-se o segundo artista negro indicado ao Oscar como diretor, roteirista e produtor no mesmo ano. Antes dele, apenas Jordan Peele conseguiu esse feito, com “Corra!” em 2018, levando a estatueta de Melhor Roteiro Original, e, no ano seguinte, Spike Lee, premiado como roteirista de “Infiltrado na Klan”.
“Pecadores” estabeleceu mais uma marca histórica com a indicação de Ruth E. Carter em Melhor Figurino. Figurinista dos melhores trabalhos de Spike Lee e do próprio Coogler, ela é agora a mulher negra que mais vezes concorreu ao Oscar em qualquer categoria. Com cinco indicações, ela passou Viola Davis, que possui quatro nomeações como atriz.

Com sua mistura de gêneros (ação, drama histórico, policial, terror), “Pecadores” leva o espectador por uma jornada à região do Delta do Mississippi, em 1932, com a comunidade negra ainda ameaçada por grupos de ódio racial como a terrível Ku Klux Klan.
Revelado por Coogler em seu longa de estreia, “Fruitvale Station: A Última Parada” (2013), Michael B. Jordan interpreta Smoke e Stack, irmãos gêmeos que retornam à sua terra natal para um recomeço, após seu envolvimento com a máfia em Chicago. Pelo papel duplo, Jordan recebeu sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator.
Smoke e Stack acolhem seu primo Sammie Moore (o cantor Miles Caton, em seu primeiro papel no cinema), jovem músico rejeitado pelo pai pastor, para juntos transformarem uma serraria num bar de blues.
Com atenção aos detalhes e a uma gama de personagens secundários, o filme vai traçando os desafios e tensões sociais que os irmãos e seu grupo de amigos enfrentam na busca por seu sonho – e um lugar para as pessoas negras poderem se divertir, dançar e beber, durante a Lei Seca (1920-1933) que ainda imperava nos EUA.
Os bares com jogos de apostas, dança e música (geralmente blues) voltados para os afro-americanos eram chamados de juke joints, geralmente localizados em áreas rurais, longe da influência branca. E é no novo bar de blues dos protagonistas que a história, assim como o filme, dá uma guinada (inclusive de gênero) com a chegada de Remmick (o britânico Jack O’Connell) e sua gangue.

Contar mais é entrar nos spoilers e estragar as surpresas da trama, que vai unir tradições afro-americanas e o sobrenatural, com a música como forma de transformação (e libertação) dos personagens. Música cuja magia une passado, presente e futuro em uma das sequências mais impressionantes do cinema recente, filmada em plano-sequência: a apresentação de Sammie no bar cantando “I Lied To You” (indicada ao Oscar de Melhor Canção Original) – momento que celebra a força da música e como ela transforma diferentes gerações.
Vários departamentos técnicos de “Pecadores” foram lembrados pela Academia, e não podia faltar os líderes de Maquiagem e Cabelo do filme: Ken Diaz @thekendiaz (chefe do departamento de maquiagem – makeup department head), Michael Fontaine @mikefontaine_ (designer de maquiagem protética – prosthetic makeup designer) e Shunika Terry @shunika.terry (hair designer).




É justamente na sequência de “I Lied To You” que o trabalho de Terry e equipe se destaca, com as várias referências visuais utilizando estilos de penteado e perucas que retratam de tribos africanas a imigrantes chineses.
O corte de cabelo de Jordan também foi fundamental para diferenciar os gêmeos um do outro. O ator não usou peruca, deixou seu cabelo crescer por meses para deixar Terry e a maquiadora Sian Richards @sianrichardsofficial fazerem sua mágica. Por exemplo, um gêmeo com o cabelo mais volumoso, o outro com a testa mais pronunciada, um com a linha do maxilar mais marcada etc. Diferenças sutis que compõem a caracterização e fazem a diferença na tela.
Cuidado que se estendeu também às caracterizações femininas, com detalhes que expressam a personalidade de cada mulher na história. De Annie (Wunmi Mosaku, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel), com seu look africano que reforça sua força espiritual, passando por Mary (Hailee Steinfeld), cujo look mais glamouroso teve Lauren Bacall como inspiração, até Pearline (Jayme Lawson), que surge como uma esposa infeliz no casamento até se revelar uma sensual cantora no bar dos gêmeos.

Cada detalhe e escolha das cabeleireiras e maquiadores determina a caracterização de cada personagem, seus status e progressão na história. Muito do sucesso de “Pecadores” se deve à sua incrível galeria de personagens, fruto da união entre atores brilhantes e o meticuloso trabalho de profissionais como a hair designer Shunika Terry.
Curiosidade: Buddy Guy, um dos maiores nomes da história do blues, aparece no final encarnando um dos personagens.
Pesquisa e texto: Eduardo Lucena



