Um dos gênios da comédia no cinema, teatro e TV, Mel Brooks completa hoje (28/6) 100 (bem vividos) anos de vida. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original, por “Primavera para Hitler” em 1969, o ator, diretor, produtor e roteirista revolucionou a comédia americana na segunda metade do século 20.
De origem judaica, Brooks nasceu no Brooklyn, em Nova York. Com 21 anos, passou a trabalhar como escritor de textos humorísticos para televisão até que, em 1965, criou, em parceria com Buck Henry, a série “Agente 86”. O sucesso lhe abriu as portas para o cinema, estreando como diretor com a comédia “Primavera para Hitler” (1968), que lhe valeu o Oscar de Melhor Roteiro Original.
O diretor e roteirista iria aparecer também como ator em suas produções seguintes, “Banzé na Rússia” (1970) e “Banzé no Oeste” (1974), atingindo seu auge criativo com comédias mais elaboradas, repletas de referências cinematográficas, como “O Jovem Frankenstein” (1974) – filmado em preto-e-branco, contra o desejo do estúdio, e estrelado por seu grande parceiro Gene Wilder –, e “A Última Loucura de Mel Brooks” (1976), em que homenageia o cinema mudo e antecipa, em décadas, o conceito do vencedor do Oscar “O Artista” (2011). Admirador de Alfred Hitchcock, lançou no ano seguinte “Alta Ansiedade”, deliciosa sátira aos filmes do mestre do suspense na qual ainda compõe e interpreta a canção-título, “High Anxiety”, demonstrando mais um de seus inúmeros talentos.
Casado com a atriz Anne Bancroft de 1964 até a morte dela em 2005, produziu um dos melhores filmes da atriz – “Nunca Te Vi Sempre Te Amei” – por meio de sua Brooksfilm, produtora fundada em 1979, responsável por filmes elogiados pela crítica, como “O Homem Elefante”, de David Lynch, e “Frances”, com Jessica Lange.
Após algumas paródias que não conseguiram repetir o sucesso do passado, Brooks voltou a ser reconhecido com o estrondoso sucesso da adaptação musical de “Primavera para Hitler” na Broadway, e sua refilmagem, “Os Produtores”, em 2005.
Vencedor dos prêmios Emmy, Oscar (incluindo um honorário em 2024), Grammy e Tony, Brooks teve uma carreira incrivelmente produtiva durante várias décadas, atuando, escrevendo, produzindo e dirigindo seus próprios filmes. Bem-humorado, costumava dizer que seus filmes estavam abaixo da vulgaridade.
Entre seus últimos trabalhos estão a narração, produção executiva e roteiro da minissérie “A História do Mundo: Parte 2” (2023) – continuação de seu clássico de 1981, no formato de esquetes para TV – , e uma participação especial aparecendo como ele mesmo na terceira temporada de “Only Murders in the Building” (2023). Incansável, participa ainda como ator e coprodutor de “Spaceballs: The New One”, que tem estreia prevista para abril de 2027. O filme é uma continuação de “S.O.S. — Tem um Louco Solto no Espaço”, sua paródia de “Star Wars” lançada em 1987.

Sua influência na comédia americana é inegável, tendo antecipado tendências, como as paródias de gênero realizadas por cineastas como David Zucker e Jim Abraham (“Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”) e o humor escatológico de sátiras de filmes como a franquia “Todo Mundo em Pânico” e “Espartalhões” (2008). Recentemente, sua carreira foi revisitada em “Mel Brooks: O Homem de 99 Anos!“ (2026), documentário em duas partes disponível na HBO Max.
Pesquisa e texto: Eduardo Lucena

