Dirigido pelo austríaco Michael Haneke, o filme vai ser relançado nos cinemas em versão restaurada, a partir desta quinta (30/7), com distribuição da plataforma Filmicca. É a chance de ver (ou rever) na telona um dos estudos mais perturbadores da sexualidade humana na história do cinema, com atuação inesquecível de Isabelle Huppert no papel-título.
Adaptado do romance da austríaca Elfriede Jelinek, vencedora do Nobel de Literatura, “A Professora de Piano” surgiu como um furação em sua estreia mundial no 54º Festival de Cannes, em 2001, levando três prêmios: o Grande Prêmio do Júri (espécie de segundo lugar), Melhor Atriz (para Huppert, por voto unânime do júri) e Melhor Ator (para Benoît Magimel). Essa vitória tripla fez com que a organização do festival mudasse as regras da premiação para as próximas edições, a fim de evitar que um único filme acumule tantos troféus.
Huppert interpreta Erika Kohut, respeitada professora de música do Conservatório de Viena que vive uma rotina rigorosa e sem afeto. Prestes a completar quarenta anos, ela mora com a mãe dominadora (Annie Girardot) e dá vazão a suas fantasias sexuais frequentando cinemas pornôs e cabines de peep show. A chegada de um novo aluno, Walter (Magimel), vai romper com sua solidão e dar início a um relacionamento sadomasoquista com trágicas consequências.
Sob a direção precisa de Haneke, cineasta vencedor da Palma de Ouro por “A Fita Branca” (2009) e por “Amor” (2012), Huppert compõe um retrato visceral de uma alma sufocada pelo desejo reprimido e os códigos sociais, apresentando uma das maiores atuações do cinema moderno. A entrega da atriz francesa ao papel foi tão grande que ela chegou a tocar piano nas cenas, já que havia estudado o instrumento por 12 anos e decidiu voltar a praticar um ano antes das filmagens.
25 anos depois de sua estreia, “A Professora de Piano” continua tirando o espectador de sua zona de conforto ao mostrar, sem concessões ou respostas fáceis, a jornada tortuosa de Erika em busca de formas de prazer que são repudiadas pelos padrões sociais. Para Haneke, a arte não é feita apenas para confortar e entreter, mas para desafiar — e nos fazer questionar não apenas o mundo a nossa volta, mas a nós mesmos.
Prepare-se para ser atormentado e, ao final, sair devastado por Isabelle Huppert e sua Professora de Piano.
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Pesquisa e texto: Eduardo Lucena

