Baseado no assassinato do empresário Marcos Matsunaga em 2012, “Elize: Sombras de uma Mulher” foi lançado nesta semana na Netflix e já atingiu o Top 1 no Brasil e o Top 10 em dezenas de países.
Dirigido por Felipe Vellas (da série “DNA do Crime”), o filme é mais um exemplo de “true crime”, espécie de subgênero que já se consolidou junto ao público brasileiro ao narrar, seja na ficção ou no documentário, histórias inspiradas em crimes reais que ganharam espaço na mídia.
Para o especialista em conteúdo audiovisual Guga Valente, “essas produções vão muito além da abordagem sensacionalista. É muito mais sobre a investigação, a pesquisa, é um mergulho dentro da mente humana”.
Mas sem dúvida, para uma produção “true crime” funcionar, é fundamental a caracterização dos personagens: é aí que entra o trabalho da equipe de cabelo e maquiagem para fazer o público acreditar em determinado ator ou atriz na pele de uma pessoa real. Caracterização que vai além de só montar o look, mas que precisa construir toda a personalidade de um personagem com a ajuda do ator e de outros departamentos, como o de figurino.
A ótima equipe de “Elize” contou com a caracterizadora e maquiadora de efeitos especiais Vick Garaventa @vickgaraventa, a maquiadora Cassiana Viana Escovedo @cassinaescovedo, a coordenadora de camarim e peruqueira Mica Ishii @micaperuqueira, e a visagista e caracterizadora Viviane Lago @vivisagista, que já trabalhou com Wagner Moura no fenômeno “O Agente Secreto”. Recentemente, ela repetiu a parceria com o ator em seu próximo projeto, a refilmagem de “O Gosto de Cereja”.

Todas juntas para tornar crível as caracterizações de Lorena Comparato (de “Mate-Me Por Favor”), em grande atuação na pele de Elize Matsunaga, e de Henrique Kimura no papel do marido da protagonista, Marcos Matsunaga, o rico herdeiro do grupo Yoki assassinado e esquartejado por Elize em 24 de abril de 2012. Os dois viveram um casamento conturbado marcado por diferenças sociais, violência doméstica e traições.
Os roteiristas Rafael Montes (“Bom Dia, Verônica”) e Mariana Torres (“Maysa: Quando Fala o Coração”) evitaram o sensacionalismo inerente à crueza do assassinato do empresário, preferindo explorar seu relacionamento abusivo com Elize e seus desdobramentos. Mais drama psicológico do que thriller investigativo, já que seu desfecho e autoria do crime são conhecidos pelo grande público, o filme é narrado do ponto de vista de Elize, que tem seu passado desvendado desde a infância pobre até sua mudança para São Paulo, passando por sua incursão na prostituição onde vai conhecer Matsunaga.

Em entrevista ao site da Rolling Stone, Vellas destacou que até hoje não há consenso entre especialistas sobre o que motivou o crime cometido: “Os próprios médicos e legistas não chegam a um consenso se ela tem alguma patologia ou se foi uma mulher comum que agiu no impulso e no desespero”.
Resta ao espectador fazer o seu julgamento sobre as motivações em torno de um dos casos mais escabrosos do noticiário policial. E, por mais que mostre o relacionamento abusivo vivido por Elize, o filme não justifica um dos crimes mais brutais da história brasileira.
Atualmente, Elize Matsunaga encontra-se em liberdade condicional, morando na cidade de Franca, no interior de São Paulo.



