A 83ª edição do festival internacional de cinema terminou no último sábado (12/9) com o Leão de Ouro para “Woman Unknown”, da dinamarquesa-egípcia May El-Toukhy, que foi a única diretora-solo na competição principal.
O drama de época levou também a Copa Volpi de Melhor Atriz, para Mathilde Arcel, e John Malkovich venceu como Melhor Ator, pelo filme “Cavalo Selvagem Nove”, o que faz dele um dos favoritos ao Oscar 2027.
Ambientado durante a libertação da Dinamarca da ocupação nazista, no final da Segunda Guerra Mundial, “Woman Unknown” acompanha uma jovem babá prestes a se casar e que esconde um segredo que pode arruinar sua vida.
El-Toukhy tornou-se a oitava diretora a vencer o Leão de Ouro nas 83 edições do Festival de Veneza – antes dela, apenas sete mulheres na direção venceram o prêmio principal da mostra italiana:
- A alemã Margarette von Trotta, por “Os Anos de Chumbo”, em 1981
- A belga Agnès Varda, por “Os Renegados”, em 1985
- A indiana Mira Nair, por “Casamento à Indiana”, em 2001
- A norte-americana Sofia Coppola, por “Um Lugar Qualquer”, em 2010
- A sino-americana Chloe Zhao, por “Nomadland”, em 2020
- A francesa Audrey Diwan, por “O Acontecimento”, 2021)
- A norte-americana Laura Poitras, por “All the Beauty and the Bloodshed’, em 2022

O júri presidido pela atriz e diretora Maggie Gyllenhaal concedeu o Leão de Prata (Grande Prêmio do Júri), o segundo mais importante do festival, para “Possible Love“, novo drama intimista de Lee Chang-dong (de “Em Chamas”), um dos melhores diretores do cinema sul-coreano.
Vencedores do Oscar de Melhor Documentário no ano passado, por “Sem Chão”, Yuval Abraham e Rachel Szor conquistaram o Prêmio Especial do Júri por “NAZA“, no qual registram mais uma vez o genocídio palestino, desta vez com depoimentos das próprias forças militares e de inteligência de Israel envolvidas no conflito. Forte filme-denúncia, “NAZA” causou comoção durante sua exibição no festival, sendo aplaudido de pé, e promete repercutir internacionalmente, assim como foi com “A Voz de Hind Hajab” (2025).
O Brasil marcou presença com “London“, longa de estreia dos diretores Victor Di Marco e Márcio Picoli exibido na Semana Internacional da Crítica e na mostra paralela Venice Open. O filme, sobre um jovem com deficiência que ganha a vida fazendo performances eróticas, dividiu o troféu Leão Queer com o documentário britânico “Queer Edward II“, de Theo Rollason.
A coprodução ítalo-brasileira ‘Retorno a Buenos Aires“, de Marco Bechis, concorreu ao Leão de Ouro e recebeu dois reconhecimentos da crítica italiana: o prêmio Francesco Pasinetti de Melhor Filme, e Melhor Ator, para Adriano Giannini (filho de Giancarlo Giannini, astro de “Pasqualino Sete Belezas”). No longa filmado em Porto Alegre e em Turim, Bechis, um ex-preso político, volta a tratar da ditadura argentina, tema que já havia investigado em um de seus melhores trabalhos, “Garage Olimpo“, de 1999.
Festival de cinema mais antigo do mundo, Veneza começou sua trajetória em 1932 e ficou conhecido por dar início à temporada de premiações, apontando possíveis candidatos ao Oscar. Como o veterano John Malkovich, que pode receber sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator (ele concorreu antes como coadjuvante, em 1985 e 1994) por “Cavalo Selvagem Nove”, na pele de um agente da CIA no Chile em 1973. Ou “Ink”, drama britânico que pode levar Danny Boyle (de “Quem Quer Ser um Milionário?”) de volta ao Oscar, com a história verídica da compra do tabloide The Sun (por Rupert Murdoch) e seu mergulho no sensacionalismo sem limites, no final dos anos 1960.
Neste ano, Ellen Burstyn, lendária atriz de “O Exorcista”(1973), e o ator, diretor e produtor George Clooney foram homenageados com o Leão de Ouro pelo Conjunto da Obra. E o cineasta italiano Luca Guadagnino (“Me Chame pelo seu Nome”, “Rivais”) recebeu o troféu especial Glory to the Filmmaker.
PRINCIPAIS VENCEDORES DO 83º FESTIVAL DE VENEZA
LEÃO DE OURO – MELHOR FILME
“Woman Unknown”, de May el-Toukhy

LEÃO DE PRATA – GRANDE PRÊMIO DO JÚRI
“Possible Love”, de Lee Chang-dong (lançamento na Netflix em 6/11)
LEÃO DE PRATA – MELHOR DIREÇÃO
Ilya Khrzhanovsky, por “Dau”
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
“NAZA”, de Yuval Abraham e Rachel Szor
COPA VOLPI DE MELHOR ATRIZ
Mathilde Arcel, por “Woman Unknown”, de May el-Toukhy
COPA VOLPI DE MELHOR ATOR
John Malkovich, por “Cavalo Selvagem Nove”, de Martin McDonagh (previsão de estreia nos cinemas em 5/11)

MELHOR ROTEIRO
“Un bon petit soldat”, de Stéphane Brizé
PRÊMIO MARCELLO MASTROIANNI (para ator ou atriz revelação)
Malou Khebizi, por “15/18”, de Cédric Kahn
LEAO DO FUTURO (PRÊMIO DE FILME DE ESTREIA)
Malou Khebizi, por “15/18”, de Cédric Kahn
Confira a lista completa de vencedores, incluindo os premiados nas mostras especiais, no site oficial do Festival de Veneza.



