Nos últimos dias, duas lendas da dramaturgia brasileira acabaram falecendo: Glória Menezes, aos 91, e Laura Cardoso, aos 98 anos. Neste mês, morreram também a atriz Hayden Panettiere, das séries de TV “Heroes” e Nashville”, com apenas 36 anos, e o ator, diretor e produtor Mark Rydell, indicado ao Oscar por “Num Lago Dourado”, em 1982.
O Brasil decretou luto oficial de três dias em homenagem às duas atrizes que fizeram história na televisão brasileira – e que irão deixar muitas saudades.
LAURA CARDOSO (1927-2026)

Laura Cardoso faleceu no dia 17, aos 98 anos, após sentir um mal estar. Ela ia completar 99 anos dia 13 de setembro.
Filha de imigrantes portugueses, ela nasceu em São Paulo e começou a carreira artística aos 15 anos, na Rádio Cosmos, em 1942. Trabalhou como dubladora e atriz de radionovelas em várias emissoras até que, em 1952, ingressou na televisão – então uma novidade no Brasil – na histórica TV Tupi.
Fez sua estreia na Tupi com o teleteatro “Tribunal do Coração” (1952) e depois passou por emissoras como Record, Band e TV Cultura. Mas foi na Rede Globo que a atriz se firmou, brilhando em novelas que marcaram gerações, como “Mulheres de Areia” (1993), “A Viagem” (1994), “Chocolate com Pimenta” (2003), “Caminho das Índias” (2009) “Sol Nascente” (2016). Lembrando também seu talento como dubladora: ela fez a voz de Betty, a esposa de Barney em “Os Flintstones”, série de animação dos anos 1960.
No cinema, participou de mais de 20 produções, alternando produções comerciais com filmes autorais, como “Terra Estrangeira” (1995), clássico dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas (disponível na Netflix), “Através da Janela” (2000), que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema Brasileiro de Miami, e “Copacabana” (2001), pelo qual foi premiada pela Academia Brasileira de Cinema. Em 2004, ela contracenou com a amiga Fernanda Montenegro em “O Outro Lado da Rua”.
Seu último trabalho na TV foi uma participação especial na novela “A Dona do Pedaço” (2019). Incansável, Laura Cardoso trabalhou por oito décadas e nunca se aposentou, com mais de 100 trabalhos no cinema, televisão e teatro.
Vencedora de 3 prêmios Grande Otelo, como melhor atriz coadjuvante, e de 5 troféus da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Laura foi reconhecida ainda com a Ordem do Mérito Cultural, em 2006. Ela deixa duas filhas, três netos e um bisneto.
GLÓRIA MENEZES (1934-2026)

Glória Menezes
Outro ícone nacional, Glória Menezes faleceu logo depois de Laura, no dia 18/8, de causas naturais, em sua casa no Rio de Janeiro, aos 91 anos. Ela nasceu em Pelotas (RS), e se mudou para São Paulo com a família aos seis anos de idade. Após terminar os estudos, entrou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo.
Em 1959, fez sua primeira novela, “Um Lugar ao Sol” e, em seguida, foi convidada por Antunes Filho para fazer a peça “As Feiticeiras de Salém”, e durante os ensaios conheceu seu futuro marido, o ator Tarcísio Meira. Os dois trabalharam juntos no teleteatro “Uma Pires Camargo”, na TV Tupi em 1961, e se casaram em 1962.
No ano seguinte, os dois estrelaram na TV Record “2-5499 Ocupado”, a primeira telenovela diária do Brasil. Eles foram casados por 59 anos, até a morte dele em 2021, e se tornaram um dos casais mais icônicos e queridos da televisão brasileira.
Em 1960, Glória interpretou Rosa, a esposa do protagonista Zé do Burro em “O Pagador de Promessas”, clássico de Anselmo Duarte que entrou para a história como o único filme brasileiro premiado com a Palma de Ouro até hoje.
Ao lado de Tarcísio Meira, a atriz entrou na Rede Globo em 1967, para protagonizar “Sangue e Areia”, novela escrita por Janete Clair. Glória assumiria o posto de uma das maiores estrelas da emissora, atuando em mais de 40 novelas até o fim da carreira. A lista inclui sucessos como “Pai Herói” (1979), “Guerra dos Sexos” (1983), “Brega & Chique” (1987), “Rainha da Sucata” (1990), “A Próxima Vítima” (1995), “Torre de Babel” (1998) e “A Favorita” (2008).
Glória se destacou também no teatro, em peças que vão de “Tudo Bem no Ano Que Vem” (de Bernard Slade), que ficou em cartaz de 1976 e 1981, a “Navalha na Carne” (1981) e “Um Dia Muito Especial” (1988). Em 2009, ela voltou aos palcos com “Ensina-me a Viver”, espetáculo dirigido por João Falcão inspirado no filme homônimo de 1971.
MARK RYDELL (1929-2026)

Mark Rydell faleceu dia 13 de agosto, de causas naturais, em Woodland Hills, na Califórnia. Nascido na cidade de Nova York, em 1929, ele estudou na famosa Juilliard School of Music e passou a tocar em casas noturnas como pianista de jazz, só que o destino o levou a trabalhar como ator em várias séries de TV, nos anos 1950.
Ele dirigiu seu primeiro longa-metragem aos trinta e oito anos, “Apenas uma Mulher” (1967), e era considerado um ótimo diretor de atores. Entre seus maiores sucessos estão “A Rosa”, com Bette Midler indicada ao Oscar, e “Num Lago Dourado”, que lhe valeu sua única indicação aos prêmios da Academia, na categoria de Melhor Direção. Com ótimo elenco, o drama familiar conquistou três estatuetas na cerimônia do Oscar em 1982: Melhor Ator, para Henry Fonda, Melhor Atriz, para Katharine Hepburn, e Melhor Roteiro Adaptado.
HAYDEN PANETTIERE (1989-2026)

Estrela das séries “Heroes” e “Nashville”, Hayden Panettiere morreu aos 36 anos, no dia 16/8. A atriz foi encontrada inconsciente numa residência em Greenville, na Carolina do Sul, e por isso sua morte está sob investigação. Registros de emergência mencionam uma possível overdose e uma parada cardíaca durante o atendimento, mas a causa de sua morte ainda vai confirmada. Ela tinha uma filha de 11 anos.
Panettiere começou a carreira ainda bebê em comerciais e ainda criança passou para a atuação em séries de TV, nos anos 1990. Mas foi só em 2006 que ela estrelou seu primeiro grande sucesso, a série “Heroes”, sobre pessoas comuns que descobrem possuir poderes extraordinários.
Seis anos depois, ela ganhou mais um papel de destaque na TV, em “Nashville – No Ritmo da Fama”, série ambientada no mundo da música country que durou seis temporadas. Na pele da fictícia cantora Juliette Barnes, ela foi indicada ao Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante, em 2013 e 2014. No cinema, atuou, por exemplo, em “Pânico 4” (2011) e “Pânico VI” (2023).
Pesquisa e texto: Eduardo Lucena



