Ainda em cartaz nos cinemas, o terror independente “Obsessão” e a cinebiografia “Michael” continuam quebrando recordes, Almodóvar anunciou seu primeiro romance, e finalmente a Academia de Hollywood vai premiar Glenn Close e Ridley Scott.
OSCAR HONORÁRIO
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou na última quarta (10/6) que Glenn Close e Ridley Scott vão receber o Oscar honorário (Academy Honorary Award), ao lado de Floyd Norman, animador e cartunista que começou sua carreira nos estúdios Walt Disney em 1956, com colaborações em sucessos como “Mulan” e “Monstros S.A.”.

Close recebeu sua primeira indicação ao Oscar em 1983, como Melhor Atriz Coadjuvante, por “O Mundo Segundo Garp”. Ela recebeu mais sete nomeações, por “O Reencontro”, “Um Homem Fora de Série”, “Atração Fatal”, “Ligações Perigosas”, “Albert Nobbs”, “A Esposa” e “Era uma Vez um Sonho”.
Responsável por clássicos como “Alien – o Oitavo Passageiro” e “Blade Runner: O Caçador de Andróides”, Scott é outra lenda do cinema que nunca havia vencido um Oscar por sua brilhante carreira. Ele concorreu três vezes como Melhor Diretor, por “Thelma & Louise”, “Gladiador” e “Falcão Negro em Perigo”, e uma como produtor, com “Perdido em Marte”, indicado a Melhor Filme em 2016.
Indicadas ao Oscar de Melhor Filme em 2024, pelo drama “Vidas Passadas”, as produtoras Christine Vachon e Pamela Koffler serão agraciadas com o Irving G. Thalberg Memorial Award, espécie de Oscar honorário criado para honrar o trabalho de produtores. Vachon e Koffler fundaram em 1995 a Killer Films, produtora com sede em Nova York responsável por marcos do cinema independente norte-americano como “Felicidade” (1998), “Meninos não Choram” (1999) e “Hedwig: Rock, Amor e Traição” (2001), entre outros.
As homenagens serão realizadas durante o Governors Awards, cerimônia da Academia de Hollywood que chega à sua 17ª edição, com data marcada para o 15 de novembro, em Los Angeles. A 99ª edição do Oscar acontecerá no ano que vem, em 14 de março.
SPIELBERG E 007
Com “Dia D” (Disclosure Day) estreando nos cinemas em vários países, inclusive o Brasil, Steven Spielberg tem concedido várias entrevistas durante a turnê de divulgação do filme, que marca seu retorno ao universo da ficção científica e alienígenas, depois de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977), “E.T.: O Extraterrestre” (1982) e “Guerra dos Mundos” (2005).
Durante sua participação no podcast “The Rest is Entertainment”, o cineasta revelou que foi rejeitado para dirigir um filme de James Bond pelo produtor Albert Broccoli, que comandava a franquia.

Spielberg revelou que sempre quis fazer um filme de James Bond desde quando assistiu a “007 Contra o Satânico Dr. No” (1962) e, depois do sucesso de “Tubarão” (1975), entrou em contato com Broccoli para demonstrar seu interesse: “Se você precisar de um diretor, adoraria dirigir um filme da franquia”. Só que a resposta do produtor foi simplesmente “não”.
Anos depois, Broccoli telefonou para Spielberg pedindo permissão para utilizar, em “007 contra o Foguete da Morte” (1979), a sequência de notas musicais usada em “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977). Spielberg aceitou ceder a música, mas em troca pediu para dirigir um filme do agente 007. Nem assim Broccoli cedeu, e o resto é história.
A resposta de Spielberg veio alguns anos depois, com seu próprio herói de ação criado em conjunto com seu amigo George Lucas: Indiana Jones.
RECORDES NOS CINEMAS

Outro filme de grande sucesso em cartaz no Brasil, “Michael” se tornou a cinebiografia musical de maior bilheteria de todos os tempos, acumulando US$ 911,9 milhões, cerca de R$ 4,631 bilhões, em exibições em todo o mundo.
Dirigido por Antoine Fuqua (de “Dia de Treinamento”), o filme bateu o recorde anterior, que era de “Bohemian Rhapsody”, e tem tudo para ultrapassar os US$ 975,8 milhões de “Oppenheimer”, tornando-se, assim, a cinebiografia de maior bilheteria da história.
Também em cartaz em salas de cinema lotadas, o terror indie “Obsessão” virou um fenômeno de público e crítica, assumindo o posto de filme de menor custo a liderar o box office norte-americano em mais de uma década.
Produzido com um orçamento estimado em US$ 750 mil, o longa escrito e dirigido por Curry Barker passou à marca de maior bilheteria da produtora Focus Features, com cerca de US$ 286,5 milhões globalmente. Antes dele, o recorde era de “Traffic”, filme de Steven Soderbergh lançado em 2000.
ALMODÓVAR E SEU PRIMEIRO ROMANCE

Depois de estrear no Festival de Cannes, “Natal Amargo” (2019), de Pedro Almodóvar, segue em cartaz nos cinemas, em circuito restrito. Como já havia feito em “Dor e Glória”, o mestre espanhol cria ficção a partir de suas próprias experiências, refletindo sobre os limites da criação, e como ela pode servir, em alguns casos, como cura.
Em 2023, lançou seu primeiro livro de contos, “O Último Sonho“ (publicado no Brasil pela Companhia das Letras), no qual exerce seu talento na ficcionalização de fatos de sua vida ao longo de seis décadas.
Após se exercitar na autoficção, tanto no cinema como nos contos, Almodóvar anunciou nesta semana que irá lançar seu primeiro romance de ficção, “El Hombre que Solo Escribía en los Aviões” (ou “O Homem que só Escrevia em Aviões”, em tradução livre), sobre um homem que só consegue escrever durante viagens de avião. A obra será publicada em 29 de outubro pela editora Reservoir Books, e ainda não tem previsão de lançamento em português no Brasil.
Pesquisa e texto: Eduardo Lucena

